Marcelo
Daldegan:
O escritor que colocou Belo Horizonte entre a lógica e o que ela não alcança.
Advogado de formação, leitor desde cedo por herança de uma madrinha que lhe entregou o primeiro livro. Estreia na ficção com um romance policial que começa dentro da razão e termina no ponto exato em que ela para de funcionar.
Entre Montanhas e Sombras
Belo Horizonte, chuva forte, uma curva da Avenida Raja Gabaglia. Aos dezessete anos, John Cocker perde a mãe no acidente e perde também a visão do olho esquerdo. Meses depois, o pai desaparece sem deixar carta nem pista.
Anos mais tarde, já delegado, treinado a notar o que falta, John atravessa mais uma madrugada de plantão quando o olho cego volta a enxergar. Não o mundo. O que existe atrás dele.
A partir daí, nenhum caso volta a ter uma explicação só. Uma mulher que não precisa mais de portas para entrar, um guia chamado Ives que só ele enxerga, e a Serra do Curral ao fundo, sempre presente, sempre olhando de volta.
Entre Montanhas e Sombras é o primeiro livro da série John Cocker. Um romance policial que começa dentro da lógica e termina exatamente onde ela para de funcionar.
- Capa
- Contracapa
- Impresso
- Conjunto
- Tiragem
Por que nada nos livros dele é exatamente o que parece?
Para entrar em Entre Montanhas e Sombras é preciso aprender a ler nas entrelinhas e reconhecer os sinais que se repetem:
- A Serra do Curral: Não é cenário. É presença. Quem olha por tempo demais sente que está sendo observado de volta.
- O olho esquerdo: O olho que cegou aos dezessete anos é o que passa a enxergar. Ver deixa de ser sinônimo de entender.
- Ives: O guia que só John enxerga. Nunca explica, nunca antecipa, e nunca aparece por acaso.
- O silêncio dos pais: Uma família que atravessou fronteiras sem nunca dizer do que estava fugindo. O que não é dito pesa mais.
- Belo Horizonte: A primeira cidade planejada do Brasil, onde quase nada obedece ao plano quando o sol se põe.
“Esta não é uma história sobre aquilo que se mostra com clareza. É sobre aquilo que permanece, mesmo quando ninguém está olhando diretamente para isso.”
Marcelo Daldegan
Capítulo 1
Entre Montanhas e Sombras
As montanhas de Belo Horizonte nunca foram apenas paisagem para mim. Desde muito cedo, havia nelas uma sensação que não se encaixava direito, algo que transcendia a imponência da Serra do Curral recortando o horizonte ou o contraste entre o concreto da cidade e o verde que resistia entre os morros. Era uma impressão mais silenciosa, mais persistente. Quando eu olhava por tempo demais, vinha um incômodo estranho, quase físico — não como medo, mas como a sensação de estar diante de algo que não deveria ser observado com tanta insistência. Não importava onde eu estivesse; quando meus olhos alcançavam a linha escura da serra ao fundo, eu sentia a mesma coisa: uma presença que eu não sabia nomear e, por isso mesmo, tentava ignorar.
Meu nome é John Cocker e, olhando para trás agora, consigo dizer com uma clareza quase incômoda que a minha história jamais foi algo comum. Não começou como as outras, não seguiu como as outras e, se eu for completamente sincero, talvez jamais tenha me pertencido de fato. Naquela época, contudo, eu ainda não sabia disso. Era apenas um garoto tentando entender o mundo ao seu redor, acreditando, como tantos outros, que a vida tinha uma ordem natural e que as tragédias pertenciam às histórias dos outros.
Meus pais, William e Elizabeth Cocker, eram americanos. Vieram de Greenfield, uma daquelas cidades pequenas de Massachusetts que parecem existir dentro de uma fotografia antiga, com ruas organizadas, casas alinhadas e uma quietude constante que dá a impressão de que tudo ali segue um padrão previsível, quase rígido. Durante boa parte da infância, Greenfield existiu para mim mais pelas poucas fotografias guardadas em casa e pelas respostas incompletas do meu pai do que como uma cidade de verdade. Eu cresci imaginando aquele lugar sem nunca realmente entendê-lo, montando pedaços a partir do pouco que era dito e, principalmente, do muito que era evitado. Meu pai nunca descrevia muito, nunca entrava em detalhes, e era justamente essa ausência que mais dizia.
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Sobre
O autor
Agradecimentos
Escrever este livro foi uma jornada intensa, desafiadora e profundamente pessoal. Entre as madrugadas em claro, as páginas reescritas e os momentos de dúvida, encontrei forças naqueles que sempre estiveram ao meu lado.
Agradeço, com todo meu amor e gratidão, às minhas filhas Marcela e Nicole, que são minha inspiração diária e o motivo do meu esforço constante em ser alguém melhor.
Aos meus pais, Miguel Daldegan e Lourdes Maria Daldegan, meu eterno respeito e carinho. Tudo o que sou devo às raízes que vocês me deram.
De forma muito especial, dedico este livro à minha tia e madrinha Maria Luiza Tavares, e à minha amada irmã Maria Inês, que pelo exemplo colocou os primeiros livros em minhas mãos e me mostrou que a leitura podia abrir caminhos que eu ainda não sabia procurar. Foi ela quem, com sabedoria e carinho, me mostrou que nunca é tarde para recomeçar e que o estudo é uma das formas mais lindas de liberdade.
Aos meus irmãos José Luiz, Vera, Geraldo, Sônia, Maria Inês, Daniel e Marli, meu abraço fraterno. Crescer ao lado de vocês foi uma aventura que guardo com alegria e saudade.
Agradeço ainda à Natália, que esteve ao meu lado nas madrugadas em claro, me apoiando e acreditando neste livro quando ele ainda era apenas um rascunho.
Por fim, agradeço a você, leitor, que aceitou este convite para atravessar os véus da realidade e explorar as sombras junto de mim e de John Cocker. Que esta história possa tocar algo profundo em sua alma, assim como tocou a minha ao escrevê-la.
Academia Membro titular da Academia de Letras de São Gonçalo do Pará, ocupante da cadeira nº 13, cujo patrono é Murilo Rubião.
Edição digital · 2026
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